O ex-ministro da Agricultura Marcus Vinícius Pratini de Moraes disse ontem, em Goiânia, que até meados do ano a extrema volatilidade da economia brasileira deverá dar lugar, paulatinamente, ao retorno da estabilidade. Segundo ele, essa volatilidade é uma das piores características da crise atual, sobretudo pela insegurança que dissemina entre os agentes financeiros.
“É que essa crise, antes de ser financeira, é essencialmente uma crise de confiança”, diz Pratini de Moraes, que hoje preside o Conselho de Estratégia Empresarial do Grupo JBS, holding controladora do Friboi e uma das maiores empresas do ramo de frigoríficos no mundo. Ele proferiu ontem uma palestra sobre a crise financeira e as perspectivas para o mercado de carnes.
Para o ex-ministro, a queda na exportações brasileiras deve ser bastante acentuada em vários setores da indústria manufatureira e bem menos no campo do agronegócio. Segundo ele, o setor que responde hoje por aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto (PIB), também deve registrar menor queda nos níveis de emprego.
No caso da carne bovina, ele diz que, no ano passado, as exportações caíram de 1,6 milhão de toneladas para 1,38 milhão, mas o faturamento cresceu de US$ 4,4 bilhões para US$ 5,3 bilhões. “Este ano, creio que as exportações voltarão a cair um pouco, mas o faturamento deve se manter estável, pois não deve ocorrer uma nova retração do dólar em relação ao real”, diz Pratini de Moraes.
Alimentação
Para o ex-ministro, uma das razões para o menor impacto da crise sobre o agronegócio é que o mundo precisa comer e o Brasil é essencial no suprimento da demanda de alimentos. “É normal que todos nesse momento reduzam suas compras esperando uma melhor definição da extensão da crise, mas, aos poucos, todos voltam a comprar alimentos”, diz o ex-ministro.
Pratini defende, entretanto, uma maior agressividade do governo brasileiro no estímulo às exportações. Segundo ele, é preciso não só retomar e expandir os níveis de crédito aos exportadores brasileiros, mas também criar mecanismos de crédito aos importadores. Conforme Pratini, há casos de países com sérias restrições no crédito de importação, como a Rússia, o maior mercado da carne bovina brasileira.
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