Italianos querem montar fábrica de chocolate no Pará

por admin_ideale

 


Uma comitiva formada por executivos e técnicos italianos, proprietários da empresa Drogheria Alimentari, chegou no último domingo (1º) a Belém para estudar a montagem de uma fábrica de chocolate no Pará. Na segunda-feira (2), a comitiva se reuniu com empresários e técnicos paraenses. Na terça, viajou a Altamira e Medicilândia, onde visitou plantações de cacau e conversou com produtores. Nessa quarta-feira (4), visitou a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), para conhecer os estudos e todo o aparato técnico da entidade no desenvolvimento da lavoura do cacau, e também se reuniu com o secretário estadual de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect), Maurílio Monteiro.

“A instalação da fábrica depende de a Ceplac garantir matéria-prima de alta qualidade e, de acordo com nossos interesses, também de o governo do Estado fornecer a garantia institucional para o sucesso dos investimentos”, disse nessa quarta o empresário Francesco Carapelli, dono do grupo Carapelli. “O governo dará toda a garantia institucional, como, por exemplo, a certificação do cacau necessário”, afirmou o secretário Maurílio Monteiro. A implantação da fábrica, portanto, depende apenas de ajustes.

A intenção de Francesco Carepelli é não apenas fabricar um chocolate de alta qualidade, mas que tenha a marca da Amazônia (de onde o cacau é originário), um chocolate que só poderia ser feito na região: a partir de um cacau nativo, “rústico”. O centro produtor de cacau no Pará é Medicilândia, onde fica cerca de 65% de toda a plantação estadual. O cacau produzido naquela região, no entanto, é híbrido, desenvolvido a partir de sementes vindas da Bahia e que melhor se adaptaram a Medicilândia e arredores. Daí a necessidade de a Ceplac garantir, por novas seleções genéticas, um cacau puramente amazônico.

Nesta quinta-feira (5), o grupo de executivos italianos também visita Tomé-Açu, onde, além de plantações de cacau, conhece lavouras de pimenta-do-reino e outras especiarias. Na sexta (6), os empresários vão a Cametá, onde conhecerão aquele que deverá ser a principal garantia de um chocolate diferenciado e essencialmente amazônico: o cacau de várzea, com suas características únicas que não têm como existir em nenhum outro lugar do planeta.

“A Ceplac tem um trabalho altamente profissional, talvez o melhor do mundo na seleção e aprimoramento da qualidade do cacau”, elogia Francesco Carapelli. “Tem todo o potencial para fazer uma seleção fantástica, e nos dar as garantias de que necessitamos”, completou.

Quanto à reunião com o secretário Maurílio Monteiro, o empresário disse que “ele compreende perfeitamente a questão agronômica e também a questão do marketing, da marca, do diferencial amazônico”.

Maurílio Monteiro, por sua vez, afirmou que a intenção dos empresários italianos vem ao encontro do novo modelo de desenvolvimento que se induz no Pará, baseado na inovação e na agregação de maior intensidade tecnológica a produtos e processos produtivos. “O cacau de várzea, por exemplo, é nativo, sem hibridismos, e pode ser a maior garantia para a implantação da fábrica”, diz o secretário. “Mas a fábrica desenvolveria e valorizaria o cacau paraense como um todo, além de a Ceplac poder atuar na seleção genética para garantir pureza em novas plantações e outras regiões, além de Cametá”, disse.

Para Maurílio Monteiro, um chocolate com o selo da Amazônia será um exemplo de como “utilizar nossos recursos naturais de forma mais qualificada, transformando diversidade em competitividade e reforçando ainda mais nossa identidade regional”.

O empresário Francesco Carapelli evitou falar do total de investimentos (vai depender de cada etapa implantada e da prospecção e custo de todo o processo), mas confirmou a informação de que a meta inicial (do que chama de fase-piloto) é industrializar 300 milhões de barras de chocolate de 100 gramas por ano, ou cerca de 300 toneladas de massa de cacau. Numa segunda fase, pode-se chegar a 800 toneladas/ano. “Essa é apenas a primeira visita de um processo contínuo, outras acontecerão em um mês, dois meses”, destacou Francesco. “Após acertadas as bases do empreendimento e as garantias, a fábrica pode começar a operar em cinco meses”, finalizou.

Você também pode gostar

O Portal Campo Vivo é um veículo de mídia especializada no agro, da Campo Vivo – Inteligência em Agronegócios, empresa ligada diretamente ao setor dos agronegócios, interessada na valorização das cadeias produtivas da agropecuária capixaba e nacional.

Siga nossas redes sociais

Desenvolvido por ideale.dev

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Vamos supor que você está de acordo, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar