A Comissão de Agricultura, Aqüicultura e Pesca, de Abastecimento e Reforma Agrária da Assembléia Legislativa (Ales) se reuniu com representantes da Federação de Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), nesta terça-feira (8), no gabinete da presidência da Casa, para discussão sobre o preço praticado para a arroba de gado de corte no Espírito Santo.
Participaram da reunião os deputados Atayde Armani (D25), presidente da Comissão, e Luciano Pereira (PSB); o presidente da Faes, Júlio Rocha; o presidente da Associação Capixaba de Criadores de Nelore (ACCN), Nabih Amin El Aouar; o diretor da ACCN, José Wallace de Tassis; Álvaro Antônio Costa Neto, da Associação dos Criadores de Nelore; João Anselmo Molino, do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper); Altenor Lobo Diniz e Daílson Laranja, ambos da Faes.
O deputado Atayde Armani já havia alertado os demais parlamentes sobre abusos cometidos por atravessadores, em geral frigoríficos, que praticam o cartel para compra de carne advinda dos produtores capixabas. Com o aumento das denúncias, a Faes elaborou um documento explanando a situação atual dos produtores e entregou ontem à Assembléia e também à Secretaria de Estado de Desenvolvimento, contendo as principais reivindicações do setor.
Nabih Amin El Aouar explicou aos presentes como funciona o comércio inadequado de gado de corte no Estado e também na região sul de Minas Gerais. El Aouar disse que é preciso mudar toda a forma de comércio, porque os pecuaristas capixabas estão empobrecendo com o preço praticado pelos frigoríficos.
“As indústrias estão cada dia mais ricas em detrimento do nosso produtor rural. O documento que trouxemos hoje (ontem) é para mostrar às autoridades a situação caótica em que vive a pecuária no Espírito Santo há cinco anos. Queremos trabalhar direito, hoje o Estado figura entre aqueles em que se paga o menor preço ao produtor pela arroba de boi no atacado, o que favorece essa forma injusta de intermediação pela qual passamos”, falou.
O Espírito Santo possui cerca de 23 mil pequenos e médios produtores, que mantêm um rebanho de aproximadamente 2,1 milhões de cabeças de gado bovino voltados à produção de carne e também de leite. De acordo com o presidente da Faes, Júlio Rocha, é isso que mantém milhares de famílias no campo.
“Contribuímos para a promoção e estabilidade social da população capixaba. Esse desestímulo pode causar um futuro desabastecimento, porque já vemos que muitos produtores estão abandonando a pecuária para exercer outras atividades, como a silvicultura e cana-de-açúcar, por exemplo”, explicou.
Com o documento, a Federação pretende chamar a atenção do Ministério e do Poder Público para os problemas no setor pecuário. “Aqui no Estado era praticado o preço médio de R$ 65 a arroba e, logo após a publicação das primeiras denúncias na imprensa, esse valor saltou para R$ 80, o que comprova a irregularidade e manipulação por parte das indústrias. O Ministério Público tem que verificar esses abusos e punir os responsáveis”, disse Nabih Aouar.
O documento com as denúncias foi protocolado na Ales e seguirá para análise do presidente da Casa, deputado Guerino Zanon (PMDB). No dia 18 de julho, às 14 horas, será realizada uma audiência no Ministério Público do Estado para que produtores e frigoríficos apresentem seus argumentos.

