Polícia Federal irá investigar derramamento de óleo no Rio Doce

por admin_ideale

 


Na tarde desta quinta-feira (03), o Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF/ES) requisitou à Polícia Federal (PF) a instauração de um inquérito policial para investigar as causas e apurar as responsabilidades pela contaminação da água do Rio Doce causada por um derramamento de óleo na última terça.


A Frisa Frigorífico Rio Doce S/A, em Colatina, já foi notificada pelo Instituto Estadual do Meio Ambiente (Iema) como responsável pelo incidente. Segundo a empresa, o erro de um de seus funcionários teria ocasionado o desastre.


O MPF também pediu atuação imediata do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), enquanto ainda houver vestígios do líquido oleoso que contaminou o rio. O órgão ressalta que, além de trazer conseqüências danosas para o meio ambiente, a contaminação do rio está comprometendo o abastecimento de água potável no município de Colatina.


Já o Iema constatou através de investigações que havia óleo em uma área de tratamento de afluente da Frisa, segundo o coordenador de atendimento a acidentes ambientais do Iema, Sylvio da Silva Moura Junior. Ao entrar no frigorífico, a equipe de investigação descobriu que a empresa utiliza uma caldeira para óleo diesel, o mesmo detectado no Rio Doce.


A empresa deve ser multada por ter causado o vazamento no rio e por ter interrompido o abastecimento da água em Colatina. O coordenador não soube dimensionar a quantidade do óleo de chegou ao rio e de quanto será a multa.


O diretor da Frisa Frigorífico Rio Doce S/A, Silvestre Coutinho Filho o incidente foi ocasionado pelo erro de um operário da empresa durante a limpeza do tanque que armazena o óleo, tipo BPS, utilizado na caldeira.


“Existe uma contenção para reter o óleo proveniente da caldeira e que é armazenado no tanque. No caso, a caldeira estava molhada, pois havia sido lavada. O óleo vazou e escorreu junto com a água para a tubulação pluvial do frigorífico. Consequentemente, ele foi parar na tubulação da rua que o levou até o rio”, explicou.


Filho ressaltou que na terça, logo após saber sobre a mancha no Rio Doce, procurou averiguar a possibilidade do produto ter vindo da Frisa. Mas mesmo após as investigações dos engenheiros do frigorífico, nada foi detectado.


“O operador não nos falou nada e nós não vimos que óleo tinha vazado. Foi o Iema que identificou a tubulação pluvial de onde teria saído a mancha e nos notificou”, afirmou.


Os trabalhos para impedir que o produto derramado no Rio Doce se espalhe irão continuar na sexta-feira, em Colatina. Na noite de quarta, o abastecimento de água foi restabelecido na cidade. Às 6 h desta quinta, no entanto, o abastecimento foi paralisado novamente por medida de segurança.


Segundo o presidente da empresa de Serviço Colatinense de Meio Ambiente e Saneamento Ambiental (Sanear), Cleober Melotti, uma equipe especializada da Petrobras, que atua em ocorrências no alto-mar, trabalhou durante toda a madrugada para restabelecer o abastecimento de água em Colatina. “Eles trouxeram materiais que eles utilizam no oceano e trabalharam até as cinco da manhã”, completou Cleober.


O derramamento


Uma grande mancha de óleo no Rio Doce assustou os moradores de Colatina na manhã de quarta-feira e interrompeu o fornecimento de água na cidade. Verificada pelo Serviço Colatinense de Meio Ambiente e Saneamento Ambiental (Sanear), a mancha que iniciou nas proximidades da Ponte Florentino Avidos, confirmada como óleo diesel queimado, se espalhou para outras áreas do rio. Cerca de 50% do abastecimento de água da cidade foi interrompido. “Somente o lado norte do rio foi contaminado pelo óleo”, afirmou Cleober Melotti.


Segundo ele, a Sanear não tem estrutura para impedir que outras áreas do Rio Doce sejam contaminadas. “Nós tivemos que acionar outros setores e parceiros para solucionar este imprevisto”, disse Cleober.


Equipes do Instituto Estadual do Meio Ambiente (Iema), da Defesa Civil Estadual e da Petrobras estiveram no local e montaram barreiras absorventes no entorno da captação de água da cidade. De acordo com Cleober Melotti, a mancha foi detectada pela equipe do Sanear na noite de terça. “No primeiro momento, calculamos que a mancha poderia comprometer o abastecimento da cidade e paramos automaticamente todo o fornecimento”, explicou.


 


Folha Vitória

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