Ainda superaquecida em abril, a demanda brasileira por fertilizantes começou a dar sinais de perda de fôlego em maio, em grande parte em virtude dos elevados preços praticados no mercado. Executivos do segmento admitem o efeito, mas reiteram que o encarecimento interno reflete uma tendência internacional que não deverá arrefecer nos próximos anos. Enquanto isso, o governo segue tentando facilitar importações e estimular um incremento da oferta no país.
Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), as entregas das misturadoras (as empresa que fazem o produto final) às revendas superaram as expectativas e atingiram 1,679 milhão de toneladas em abril, 28,5% mais que no mês de 2007. Parte do volume é destinado ao plantio de inverno, mas uma boa fatia já está reservada para a próxima safra de verão (2008/09). Prevaleceu em abril, conforme especialistas, a lógica de que os preços poderiam subir mais e o temor com a eventual escassez de nutrientes nos próximos meses.
No primeiro quadrimestre, as entregas alcançaram 7,106 milhões de toneladas, segundo a Anda, 20,3% mais que em igual perído de 2007. A indústria não espera que a elevação anual supere 10%, o que corrobora a tendência de arrefecimento. Até abril, a produção nacional subiu 5,9%, para 3,081 milhões de toneladas, e as importações cresceram 14,9%, para 5,261 milhões.
Valor Econômico

