Representantes dos produtores de café consideram realista a estimativa divulgada hoje pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção deve ser de 45,5 milhões de sacas (Conab) ou 45,7 milhões de sacas (IBGE).
O experiente cafeicultor, Luiz Hafers, presidente da Associação Paranaense de Produtores de Café (Apac), diz que concorda com os números oficiais, tanto que desde setembro do ano passado vem sugerindo que a produção poderia ficar em cerca de 45 milhões de sacas. “Mas o balanço entre oferta e demanda mostra aperto”, observa.
Hafers acrescenta que a projeção oficial de 45,5 milhões de sacas “é justa”, para suprir a demanda interna (17 milhões de sacas) e exportação (28 milhões de sacas). O governo não fez um levantamento sobre os estoques remanescentes.
Ele observa que a safra nova ainda não entrou no mercado, o que não é um desastre, “mas causa atenção”. Segundo Hafers, o mercado físico está travado, em parte por causa do atraso na colheita da safra. “As chuvas do início deste mês vão atrasar a safra em cerca de 15 dias, o que representa 1,5 milhão de sacas de consumo, num momento crítico em termos de disponibilidade do produto”, explica.
Já o Conselho Nacional do Café (CNC), órgão que representa as principais cooperativas do País, sugere que, com relação ao aperfeiçoamento das estimativas, num futuro próximo, os dados devem serão apurados totalmente por meio de georeferenciamento (via satélite).
Apesar de representar a segunda maior safra dos últimos 10 anos, o CNC, por meio da assessoria de imprensa, insiste na necessidade de uma política de escoamento mais ordenado nas próximas safras. Pede que o governo utilize instrumentos de política agrícola, como financiamentos para estocagem, Pepro e opções públicas, visando a um maior equilíbrio na oferta brasileira.
Conforme a Conab, a safra poderia ser bem maior se não fosse a estiagem registrada nas regiões cafeeiras. Com a regularização das chuvas no fim de 2007 houve uma recuperação parcial das lavouras, propiciando condições mais favoráveis ao desenvolvimento e enchimento dos grãos, com reflexos positivos na produtividade.
A produção do café arábica representa 76,19% (34,700 milhões de sacas) da produção do País, na qual o maior produtor é o Estado de Minas Gerais com 65,89% (22,90 milhões de sacas). As lavouras de Minas se encontram em fase de frutificação e maturação, com previsão de início de colheita este mês. Espera-se um rendimento médio de 22,41 sc/ha na safra 2008, contra 15,24 sc /ha na safra 2007 e 21,73 sc/ha na safra 2006.
O café conillon (robusta) participa da produção nacional com 23,81% (10,844 milhões de sacas). O Estado do Espírito Santo se destaca como o maior produtor dessa variedade com 72,39% (7,850 milhões de sacas).
Segundo a Conab, uma grande seca ocorreu entre agosto e setembro (florada) até dezembro (formação dos frutos) em todo o Estado, com maior intensidade nas regiões quentes que cultivam o conillon.
No entanto, informa a Conab, as lavouras vêm se recuperando bem em virtude das boas condições climáticas desde dezembro. Os bons tratos culturais também contribuem para o bom enchimento de grãos, favorecendo no aumento da produção, dizem os técnicos da estatal.

