A produção de frutas no Brasil deve crescer 4,5% em 2008, puxada por um expressivo consumo interno, pela demanda crescente de agroindústrias e pelas vendas externas. Em 2007, o País exportou 918 mil toneladas, 14% mais que em 2006. Para 2008, a estimativa é de crescer 10%, segundo o Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf). Se concretizado, o percentual resultará a marca recorde de exportação de 1 milhão de toneladas de frutas.
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial – atrás da China e da Índia – e o 15 exportador, devido a um expressivo consumo interno, conforme explica Moacyr Saraiva Fernandes, presidente do Ibraf. No entanto, as exportações brasileiras vêm atingindo um alto valor agregado, diz Fernandes, com receita em 2007 34% maior que em 2006, ante um volume 14% maior. E nesse quesito, a uva está na liderança, segundo o executivo do Ibraf. “Em torno de 50% dos parrerais destinados à exportação estão sendo convertidos para variedades sem sementes, que têm maior valor agregado”, exemplifica.
Enquanto a venda externa dessa fruta representou 8,6% (79 mil toneladas) do volume total exportado, a receita representou 26,4% (US$ 170 milhões). “Os produtores de melão também estão adequando a oferta de suas variedades àquelas mais aceitas no mercado internacional. São frutas mais nobres, de poupa com coloração mais amarela ou avermelhadas, cascas verdes ou com formatos ovóides”, exemplifica. Depois das uvas, o melão é o item da pauta com maior receita (US$ 128 milhões), seguido da manga (US$ 89 milhões). Por conta desses ganhos em agregação de valor, Fernandes acredita que, enquanto o volume exportado em 2008 pode crescer 10%, a receita deve aumentar 14%.
Produção
As únicas estatísticas oficiais sobre a produção de frutas no Brasil são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que, na realidade, se referem à comercialização de frutas, conforme explica Fernandes. “Isso porque no Brasil há um hiato entre a produção de frutas e as que chegam ao comércio formal. O País é uma das poucas nações onde quem mora no interior tem árvores frutíferas no quintal, ou seja, o consumo não é só feito comercialmente. Ainda, há a informalidade, de caminhões que vendem frutas nas ruas, comércio não contabilizado”, detalha o executivo do Ibraf.
O último dado do IBGE sobre a comercialização oficial de frutas no Brasil é de 41,9 milhões de toneladas. Como o crescimento anual vem sendo de 4,5%, estima-se que em 2007 esse volume tenha sido de 43,7 milhões de toneladas. Entre 2002 e 2006, a produção nacional cresceu 23%, saindo de 34 milhões de toneladas em 2001. “O potencial de expansão para os próximos quatro ou cinco anos é de 4,5% ao ano”, projeta Fernandes.
Do total da produção, 47% vão para o consumo na forma de frutas frescas, sendo 45 pontos percentuais para o mercado interno e outros 2 pontos percentuais para exportações. Os outros 53% da produção são utilizados nas agroindústrias, a maior parte de suco de laranja, produto pelo qual o Brasil é o maior exportador e produtor mundial.
A agroindústria que processa frutas para produção de sucos e polpas está também em franco dinamismo, com taxas de crescimento três vezes superiores à da atividade primária. De acordo com o presidente do Ibraf esse percentual gira em torno de 14% a 15%. “Isso se deve à gradativa conscientização do consumidor brasileiro sobre a importância da qualidade na alimentação e isso não é mais uma preocupação somente das classes mais altas”.
Câmbio e custos
Os louros do crescimento da cadeia da fruticultura não chegaram ao produtor rural, na avaliação do presidente do Ibraf. São dois os gargalos, segundo ele. O primeiro é a dificuldade do agricultor em se organizar para a comercialização. “A maior parte da atividade é formada por produtores de pequeno e médio portes”, completa.
Em segundo lugar, a estabilidade econômica, traz dificuldades de repasse de alta nos custos, que têm aumentado mais do que os preços de venda do produto. Assim, eles vêm sendo absorvidos pelo campo. “Isso faz com que os fruticultores se voltem mais para dentro das suas porteiras e tentem administrar seus custos e não mais seus preços”, completa.
Gazeta Mercantil

