Infraestrutura segue como principal demanda na agenda do agronegócio

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Entidades do agronegócio esperam avanços na infraestrutura e redução de burocracias na gestão da nova ministra da Agricultura (Mapa), Tereza Cristina. Paralelamente, o setor observa com cautela o embate entre EUA e China e a possível mudança da embaixada do Brasil em Israel.“Competimos no mercado internacional e convivemos com margens estreitas. Não existe repasse de preço. Por isso a logística é extremamente importante, é a única área que podemos reduzir custos”, conta o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes.Ele destaca como principais necessidades a conclusão das obras da BR-163, rodovia que liga as áreas de cultivos de grãos do Centro-Oeste com os portos no Norte do País, a construção da linha férrea conhecida como Ferrogrão e a ampliação de rotas hidroviárias.Mendes entende que a ampliação de modais de transporte poderia reduzir a desvantagem competitiva em relação aos EUA e à China.

O dirigente declara que as expectativas com a nova ministra “não poderiam ser melhores” e que acredita que o setor será ouvido nas questões sobre infraestrutura. A ausência de asfalto em alguns trechos da BR-163 já provocou prejuízos milionários para produtores de soja e milho. Em fevereiro de 2017, chuvas causaram atolamento e filas de milhares de caminhões que se dirigiam aos terminais portuários de Mirituba e Santarém, no Pará.

“Precisamos terminar essas obras, só 90 quilômetros são asfaltados. É danoso transmitir essa imagem de caminhões encalhados para o exterior.” Mendes também considera preocupante o tabelamento do frete e seus efeitos sobre o escoamento do milho. “O estrago para o setor é muito grande, acho que o tabelamento não tem como persistir ou a competitividade ficará comprometida”, acrescenta.Em 2018, as exportações de milho tiveram redução de 18% em relação ao ano anterior. “Estamos prevendo retornar ao patamar de 2017, mas desconsiderando o frete”, conta.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, também avalia de forma positiva o nome de Tereza. “Ela é do ramo e teve uma atuação impecável na frente parlamentar agropecuária. Esperamos mais agilidade nas respostas e menos amarras para o setor.” Abertura de mercados Em dezembro, a ABPA deu início ao Projeto 500K, que tem como meta alcançar a média mensal de 500 mil toneladas nas exportações somadas de carne de frango e suína até o final de 2020. “Projetamos uma inserção maior, especialmente na Europa e Ásia. Hoje, exportamos pouco menos de 400 mil toneladas, o que já é bastante”, complementa Turra. Ele vê com otimismo o andamento das negociações para o acordo entre Mercosul e União Europeia.

“É muito importante, está se desenhando. A própria aproximação com os EUA, em vez de nos afastar de outros mercados pode mudar a percepção de que o Brasil é periférico, distante dos principais destinos.”Mendes admite preocupação com a guerra comercial entre EUA e China. “Em 2018, foi favorável para o Brasil, mas provoca receios.

O setor é muito competitivo, não precisa de problemas alheios, que só trarão imprevisibilidade e preocupações desnecessárias.” Turra entende que o Brasil não pode tomar lados no conflito comercial entre as duas potências. “Tanto EUA quanto China são mercados importantes e vitais para o País.”Ele também minimizou a possibilidade do Brasil transferir sua embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém e consequentes prejuízos com mercados islâmicos. “Essa questão preocupa, mas sabemos que na prática há um discurso de campanha e um de governo”, ressalta o dirigente.

De acordo com a ABPA, as exportações de carne halal (processo de abatimento de animais que segue os preceitos muçulmanos) renderam US$ 3,2 bilhões ao País em 2017. Turra entende que o ministério da Agricultura tem consciência da relevância desse mercado para o Brasil. “Não é um valor desprezível que o setor pode abrir mão tão facilmente”, destaca o dirigente.

DCI

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