SIC encerra edição com mercado de cafés fortalecido

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Foto: Divulgação

Três dias de conexões, aprendizados, atualizações, conversas em meio a 80 mil xícaras de cafés servidas, 23 mil visitantes e a estimativa de que tenham sido iniciados negócios em torno de R$ 50 milhões. Esse foi o balanço da Semana Internacional do Café 2019 (SIC), realizada entre os dias 20 e 22 de novembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG).

Concurso Coffee of The Year

Considerado o maior evento nacional do setor, a SIC 2019 revelou os dois melhores cafés brasileiros durante a final do concurso Coffee of the Year (COY). A premiação, envolta em grande torcida e emoção, condecorou os produtores Wilians Valério, de Alto Caparaó MG), região produtora Caparaó, com o título de Melhor Café Arábica; e o bicampeão Luiz Cláudio de Souza, de Muqui (ES), região Sul do Espírito Santo, com o Melhor Café Canéfora. O concurso este ano teve, pela primeira vez, um indígena entre os finalistas: o café produzido por Wilson Nakodah Surui, na Aldeia Kabaney, em Cacoal (RO), ficou em 5º lugar na categoria Canéfora.

Campeonatos Nacionais de Barismo

Os campeonatos profissionais, que ocorreram ao vivo em meio aos estandes expositores, também geraram grande entusiasmo entre o público, que acompanhou de perto as classificatórias e a final do Campeonato Brasileiro de Barista, Campeonato de Preparo de Café (Brewers) e Campeonato de Prova de Café (Cup Tasters). Promovidos pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) durante a SIC 2019, os campeonatos revelaram na noite de sexta-feira (22) os melhores profissionais. Júlia Fortini, de Belo Horizonte (MG), foi eleita a melhor preparadora de cafés; Leonardo Moço Ribeiro, de Curitiba (PR), o melhor barista nacional; e Phelippe Nascimento, de Carmo de Minas (MG), o melhor provador de cafés.

“A Semana Internacional do Café 2019 foi um imenso sucesso e consolidou o mercado interno brasileiro de cafés especiais. Trouxe para todos os visitantes e para o mercado uma autoestima e a certeza de que estamos avançando e construindo um mercado mais agregador, onde todos – produtor, classificador, exportador, indústria, torrefador, barista e cafeterias – podem  dialogar juntos. E que unindo forças, o Brasil pode avançar muito mais, pois temos grandes diferenciais, que são o fato de termos um consumo altíssimo de café, sermos o maior produtor e termos um índice de exportação muito elevado. O que faltava nessa cadeia era a conexão entre todos esses atores. Agora, ninguém nos segura. Vamos em frente, com a perspectiva de que teremos um 2020 com safra mais alta e grandes avanços no mercado”, sintetiza a curadora da SIC 2019, Mariana Proença, diretora de conteúdo da Café Editora.

A força das mulheres

As mulheres protagonizaram um cenário diferente este ano. No encontro anual da Aliança Internacional das Mulheres do Café do Brasil (IWCA, na sigla em inglês), cerca de 800 cafeicultoras se reuniram para debater o cenário cafeeiro e os desafios para 2020 e nunca estiveram tão em alta como nesta edição da SIC.

“Foi nosso primeiro ano com muitos negócios iniciados e alguns já fechados em nossa mesa de cupping. Destaco o 9º Encontro de Mulheres, com painéis importantes e grandes nomes do setor, além do mercado interno: conseguimos muitos contatos e nossas sócias muitos prêmios de qualidade. A Semana Internacional do Café é realmente uma fábrica de oportunidades – esse ano a IWCA Brasil deu um salto importante na comercialização de cafés e na sua visibilidade”, pontua Cíntia Mesquita, presidente da IWCA.

Negócios

De quarta a sexta-feira, estiveram reunidos no Expominas agricultores, torrefadores, compradores, exportadores, empresários, baristas, indústria cafeeira e apreciadores da bebida, além de representantes de mais de 40 países. Este ano, a Semana Internacional do Café teve 220 expositores, 25% a mais que no ano anterior; contou com o Pátio do Produtor, que reuniu maquinário agrícola, além de vários estandes com insumos; mostra de arte, com pinturas que tinham como tema o café; e exposição de embalagens do concurso Espresso Design, para valorização da apresentação dos produtos.

No foyer do Expominas e nas áreas do projeto Origem Minas, do Sebrae, pequenos produtores expuseram e comercializaram, além de cafés, chocolates, geleias, biscoitos e várias guloseimas mineiras. Havia também artesanato, como bijuterias que têm como matéria-prima cápsulas usadas de cafés.

Para Priscilla Lins, gerente de Agronegócios do Sebrae Minas, a cada ano a SIC se consolida como o principal acontecimento do mundo do café no Brasil. “Este ano o Sebrae contribuiu com esse sucesso trazendo um conceito completamente novo e que mobilizou o evento – o das origens controladas. Foi incrível o interesse do público pelo tema, demonstrando que o setor está preparado para dar mais um passo para o futuro”, diz.

Cenário positivo para a cafeicultura 

A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de que o Brasil feche 2019 com 48,9 milhões de sacas (27,03/ha) e Minas Gerais, com 24,5 milhões de sacas colhidas (uma relação de 24,9/hectare). Nesse cenário, importante destacar a relevância da Semana Internacional do Café para Minas Gerais, reforçada por outro indicador: o café é o principal produto agropecuário exportado do Estado, representando 40,6%. Os grãos crus ou torrados seguem para mais de 60 países, entre eles: Estados Unidos, Alemanha, Itália, Bélgica e Japão.

“A Semana Internacional do Café superou todas as nossas expectativas. Na visão de todos os que participaram, ela foi superior a 2018. Muitos cafés foram vendidos e muitos negócios foram fechados durante a feira, com preços muito acima dos praticados pelo mercado. Para todos os envolvidos – da importação, exportação, produtores, expositores, indústria, cooperativas, mercado de solúveis – a SIC 2019 foi um sucesso. E já estamos a pleno vapor preparando a SIC 2020, sempre tentando fazer uma nova edição ainda melhor. E, principalmente, indicando uma tendência, um caminho, para que o cafeicultor mineiro e brasileiro consiga trabalhar com margem positiva e comercializar seus cafés com muito sucesso para todo o mundo”, ressalta o vice-presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), Breno Mesquita, um dos organizadores do evento.

Para a secretária de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Ana Maria Valentini, a SIC 2019 foi surpreendente. “Foi uma vitrine da nossa pujante cafeicultura. Um evento que nos enche de esperança de um futuro promissor para nosso setor, além de mostrar a união de todos, as novas tecnologias e, principalmente, a preocupação da sustentabilidade com os cultivos”.

Eventos simultâneos 

O evento contou ainda com mais de 40 eventos simultâneos, entre eles o painel Minas Coffee Origins, que debateu as origens controladas; o hackathon AgroUP para o setor cafeeiro; seminários, workshops, competições profissionais, cursos, sessões de cuppping (provas de café), entre outros.

A equipe Redditus/Giga Coffee foi a grande vencedora do 1º Hackathon AgroUp Café, realizado durante a Semana Internacional do Café. O grupo, formado por estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas – Campus Muzambinho, venceu outras oito equipes no desafio de inovação tecnológica em 48 horas, promovido pelo Sistema FAEMG. O projeto campeão é um aplicativo de gestão da cafeicultura baseado no envio de mensagens de áudio. A equipe foi premiada em R$ 5 mil e receberá um ano de mentorias para desenvolver a ideia e transformá-la em negócio.

“A Redditus/Giga identificou que os produtores têm dificuldades em utilizar as tecnologias de gestão financeira já existentes no mercado, porque a interface geralmente é pouco amigável. Ao mesmo tempo, realizaram pesquisa com cafeicultores durante a SIC, e descobriram que 100% dos entrevistados utilizam diariamente o Whatsapp. A grande sacada foi desenvolver uma ferramenta com interface similar ao Whatsapp, em que o produtor envia mensagens de áudio, que são transformadas em dados para compor um relatório mensal de inteligência que auxiliará o produtor a superar seus gargalos”, explica a coordenadora do escritório de inovação do projeto AgroUp, em Minas Gerais, Gisele Ramos.

Café Point

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