Produtores rurais capixabas empenhados na preservação ambiental

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Assistência Técnica e Gerencial do Senar-ES auxilia na implantação de Sistemas Agroflorestais

Foto: Divulgação

Não faltam bons exemplos de preservação ambiental em muitas propriedades rurais do Espírito Santo. É o caso dos produtores Thiago Cavalcanti, Zecarias Mauri e Luiz Cláudio de Souza, de Muqui. Eles trabalham com café conilon e estão migrando para a produção orgânica, aliando cada vez mais a técnica agrícola à conservação do meio ambiente. Para isso, contam com a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Espírito Santo (Senar-ES).

Thiago Cavalcanti é médico de Santa Catarina e tem o auxílio do produtor Lúcio Lima para cuidar diariamente de sua propriedade rural que está se tornando uma referência no Estado. O Sistema Agroflorestal já está bem implantado, consorciando o cultivo de mais de 14 mil plantas de café com árvores frutíferas, nativas e leguminosas.

“Todas as plantas inseridas nesse sistema não foram implantadas pensando somente no retorno financeiro, porque isso é a consequência da diversificação dentro da propriedade. A Agricultura Sintrópica busca uma sinergia entre as diferentes cultivares a fim de melhorar a estruturação do solo, a reciclagem de nutrientes, a retenção de água, a ativação da microbiota do solo e muito mais. Ou seja, há diversas possiblidades de se fazer uma agricultura sustentável e rentável”, explica o técnico em agropecuária e técnico de campo ATeG, Igor Borges.

Além disso, toda a adubação da lavoura é feita com matéria orgânica produzida com restos de alimentos que descansam e se decompõem em um minhocário da propriedade.

“Enxergamos na agricultura orgânica uma possibilidade de mudar nosso estilo de vida e ganhar dinheiro. Vimos que preservar o meio ambiente é muito importante para termos um café com cada vez mais qualidade”, disse Lucio Lima.

 

Terreiro suspenso de bambu

A preocupação com o meio ambiente já vem de longos anos na vida do produtor rural Zecarias Mauri. Com a chegada da ATeG em sua propriedade foi possível aprimorar a técnica para iniciar o trabalho com cafés orgânicos e, futuramente, de qualidade.

Pensando nessa meta, o produtor realizou inovações como a implantação de um terreiro suspenso feito de forro de bambu, planta nativa de sua propriedade, separou a lavoura em talhões, plantou árvores em torno da nascente de água e melhorou a questão do saneamento básico rural, com uma fossa séptica biodigestora. “A utilização do bambu é uma inovação de Tecnologia Social, de baixo custo e sustentável”, revelou Igor Borges.

O conhecimento técnico e a melhoria da gestão da propriedade foram primordiais para conseguir bons resultados.

“Me faltava conhecimento, o lucro era pouco porque eu não tinha o conhecimento técnico que tenho hoje. Eu só vivia dentro da roça e achava que a técnica e a boa gestão eram uma ilusão, mas hoje vejo futuro na propriedade rural e sei que posso ter uma renda melhor”, disse o produtor Zecarias.

 

Qualidade aliada à preservação ambiental

Ao chegar na propriedade rural de Luiz Cláudio de Souza, o técnico ATeG, Igor Borges, se surpreendeu com o cuidado com a terra, a água e os animais. O produtor foi um dos pioneiros da preocupação ambiental em sua cidade ao fundar uma associação de preservação em Muqui, ainda em 1998. Em sua propriedade não poderia ser diferente e esse é um dos aspectos que deu ao Luiz Cláudio o título de bicampeão do concurso Coffee of the Year e é um dos finalistas do Prêmio Cafés Especiais do Espírito Santo 2020.

Trabalhando com café de qualidade, Luiz Cláudio decidiu investir na produção orgânica e, através da ATeG, foi possível fazer um levantamento de todas as oportunidades e gargalos da propriedade.

“A transição para o orgânico era um sonho e o Senar, junto com a cooperativa Cafesul, me proporcionou isso. Lidamos com a planta que é um ser vivo, fica doente, come, bebe. Ela vive em função do ambiente, do clima, da temperatura, de chuva, de sol, da ajuda do homem com nutriente, para depois oferecer pra gente um produto de qualidade”, declarou Luiz Cláudio.

Além da conservação do meio ambiente, foi feito incremento nas adubações orgânicas da propriedade com pó de rocha e cama de frango, manutenções na estufa, construção de terreiro suspenso e implantação de fossa séptica.

Igor Borges explica que é possível alcançar uma boa produtividade aliada com a preservação ambiental. “Para produzir café de qualidade e orgânico não é somente colher o fruto maduro ou ter uma secagem bem feita. Outros fatores são importantes como a adubação adequada e equilibrada, o bom manejo do solo, o conhecimento da microbiologia do solo (microrganismos, fungos e bactérias que são benéficas), a preservação e recuperação de nascentes, o tratamento correto para o lixo e o esgoto. É necessário ter uma visão sistêmica da propriedade e enxergar as diversas oportunidades que ela pode oferecer”, disse.

Com informações de assessoria Senar

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