ARTIGO: O mercado de cafés especiais está saturado?

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O consumo de cafés de alta qualidade cresceu muito nos últimos anos. Até o início dos anos 2000, ele era minúsculo no Brasil. Mas tudo mudou desde então. Milhares de cafeterias foram abertas, centenas de marcas foram criadas e milhões de brasileiros conheceram o verdadeiro sabor do café.

Atualmente, é muito fácil encontrar uma cafeteria ou marca de café especial nos grandes centros urbanos do país. A tendência está se espalhando até pelo interior, em cidades pequenas e médias. Diante dessa rápida expansão, muitos se perguntam: “será que o mercado de cafés especiais está saturado?”

Para responder esta questão, nada melhor do que olhar para os dados. Recentemente, o Rabobank divulgou estimativas para o consumo de cafés especiais no Brasil e projeções para os próximos anos. Veja no Gráfico:

As estimativas do Rabobank mostram que o consumo dos brasileiros praticamente triplicou entre 2014 e 2019, passando de 327 mil sacas para 981 mil. Trata-se de um crescimento impressionante. E o futuro parece promissor.

A projeção indica que o consumo vai dobrar entre 2019 e 2023, chegando a 1,8 milhão de sacas. Ou seja, o mercado não está saturado. Ainda há muito espaço para o crescimento das empresas já estabelecidas e para a criação de novas marcas.

Novas oportunidades

O aumento do consumo de cafés especiais entre os brasileiros oferece várias oportunidades para a cafeicultura nacional. Do lado da produção, os cafeicultores terão maior demanda pelos grãos de alta qualidade dentro do país, sem depender das exportações.

Para produzir cafés de alta qualidade, o produtor precisa investir em estruturas e equipamentos de processamento, secagem e armazenamento adequados. Grande oportunidade para as empresas que fornecem isso e para os consultores especializados.

No setor de torrefação, provavelmente haverá grande demanda por torradores de pequeno porte, ideais para cafeterias e microtorrefadoras. A procura por cursos de torra de cafés especiais, que já está alta, deverá continuar aquecida.

O número de cafeterias no país continuará crescendo. Isto significa maior demanda por máquinas e equipamentos para o preparo de café e por baristas qualificados.

Por fim, os consumidores terão muito mais cafeterias para frequentar e marcas para saborear. O crescimento do mercado de cafés especiais é muito positivo para a cafeicultura nacional, já que isso movimenta a economia, gera empregos e beneficia o produtor rural.

Coffee Insight (Eduardo Cesar atua como consultor e pesquisador. É especialista no desenvolvimento de projetos e estudos para a cafeicultura, especialmente nas áreas de gestão, inteligência competitiva, estratégia e indicação geográfica. Possui mestrado e doutorado em administração pela Universidade Federal de Lavras

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